
A edição de 2019 foi compacta mas destemida, seis filmes escolhidos para mostrar o quão aventureiro o cinema português contemporâneo se tinha tornado. O que ao programa faltou em dimensão, compensou-o em variedade, passando do surreal ao cruamente político ao longo de algumas noites de novembro. Foi também a primeira edição realizada no Moviemento Kino, em Kreuzberg, a casa que o festival mantém desde então.
Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, um conto de fadas deliriantemente inventivo que ganhou o Grande Prémio da Semana da Crítica de Cannes, situava-se num extremo. Raiva, de Sérgio Tréfaut, um sombrio drama alentejano, situava-se no outro. Luz Obscura, de Susana de Sousa Dias, deu continuidade ao seu trabalho essencial sobre a memória da ditadura e da repressão. Entre os convidados, António Pinhão Botelho esteve presente para apresentar o seu filme Ruth.
Por pequena que fosse, a edição confirmou a ambição do festival: levar filmes que raramente viajam, e os cineastas que os fazem, a um público berlinense com fome de cinema de autor com identidade própria.


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